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Jornal do Commercio – RJ
21 de setembro de 2006
Setor de papel e celulose deve investir R$ 20 bi
Daniele Carvalho
O setor de papel e celulose deverá investir R$ 20 bilhões no período de 2007 a 2010. O montante representa crescimento anual médio de 17% sobre a expansão anual do intervalo de 2002 a 2005, quando os desembolsos somaram R$ 9,1 bilhões. Os números fazem parte de levantamento feito pela área de Insumos Básicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que reuniu informações passadas pelas empresas do setor sobre intenção de investimentos. Do total de recursos a serem aplicados no período, o banco de fomento deverá financiar R$ 11,7 bilhões. Caso todos os projetos sejam implementados, o Brasil aumentaria a produção de papel de 9,9 milhões de toneladas este ano, para 11,6 milhões em 2010. Com o interesse crescente das empresas do setor na área de celulose, a produção nacional do insumo passaria de 6,8 milhões de toneladas para 11 milhões de toneladas.
Projeção conservadora
"Traçamos um horizonte até 2010. Dentro do grupo existe a percepção de que nossa projeção é até conservadora. Há quem aposta que, somente em celulose, os investimentos possam alcançar US$ 15 bilhões até 2013", disse Demian Fiocca, presidente do BNDES, que participou ontem da reunião com os principais executivos das empresas de papel e celulose do país. A reunião foi a primeira de uma série de encontros que serão promovidos pela diretoria do banco com diferentes setores da indústria. De acordo com Fiocca, as perspectivas são positivas para os produtores de fibra curta de eucaliptos localizados no Hemisfério Sul, em função do menor custo da matéria-prima. "O Brasil avançou muito na produtividade de suas florestas. Nos anos 80, esta era de 23 metros cúbicos por hectare/ano. Nos anos 90, passou a 29 metros cúbicos de hectare/ano e hoje está em 40 metros cúbicos de hectare/ano", informou o presidente do BNDES.
Expansão da Klabin
Um exemplo do apetite do setor é dado pela Klabin, que atualmente realiza obras de expansão em sua unidade de Monte Alegre, no Paraná e já pensa em novos projetos. Com investimento de R$ 2,2 bilhões, a unidade aumentará a produção das atuais 700 mil toneladas para 1,1 milhão de toneladas. "Temos planos de aumentar a capacidade também de nossas fábricas em Santa Catarina, possibilitando um acréscimo de mais ou menos 300 mil toneladas. Com isto, passaríamos de uma produção atual de 550 mil toneladas para 800 mil toneladas em dois anos", adianta Miguel Sampol Pou, diretor geral da Klabin. A Stora Enso, que inaugurou no ano passado em parceria com a Aracruz a fábrica Veracel (BA), também quer dar continuidade aos investimentos. O presidente da empresa no Brasil. Nils Grafstrom, diz que a companhia comprou terras no centro-sul do Rio Grande do Sul para cultivo de eucaliptos. "Há planos de no futuro, daqui a sete anos e quando os eucaliptos estiverem em idade para produção, de construirmos uma fábrica de celulose ali", diz o executivo.
BNDES liberou R$ 3 bi em financiamentos até agosto
Nos primeiros oito meses do ano, o BNDES aprovou financiamentos de R$ 3 bilhões para projetos à expansão de produção de papel, em investimentos que somam R$ 5,5 bilhões. Fazem parte das empresas financiadas Bahia Sul (da Suzano), Klabin, Bahiapulp e Aracruz. Ainda entre as empresas que já entraram com pedido no banco, mas esperam liberação do crédito, estão International Paper (IP) e Orsa. A produção brasileira de papel atingiu 8,6 milhões de toneladas em 2005, correspondendo 2,3% da produção mundial. O presidente da Votorantim Papel e Celulose (VCP), José Luciano Penido, disse, durante a reunião no BNDES com empresários do setor, que a operação de troca de ativos anunciada na terça-feira por sua empresa e a International Paper não pode ser avaliada como um movimento de consolidação do setor no país. Ele também negou que a VCP e a Aracruz estejam negociando uma fusão. "A troca de ativos está relacionada com o plano estratégico das duas empresas. A International Paper está com seus negócios focados em papel não-revestidos e papel de embalagens. A VCP, por sua vez, pretende ampliar a participação na produção de celulose. Não se trata de consolidação, mas de especialização. Em relação à Aracruz, são especulações. A VCP é acionista da Aracruz, com 12% das ações do controle. A Aracruz tem sua vida própria e a VCP também", rebate o presidente da VCP. Na terça-feira, as duas empresas anunciaram uma troca de ativos: a VCP passou à IP sua fábrica de produção de papel e celulose, localizada em São Paulo e a IP, por sua vez, transferirá à VCP uma fábrica de celulose em construção no Mato Grosso do Sul.
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