Valor Econômico – SP
21 de setembro de 2006

Setor promete investimento de R$ 19,9 bilhões até 2010
Vera Saavedra Durão

Fiocca informou que o banco está preparado para financiar R$ 11,7 bilhões deste total de inversões previstas para os próximos quatro anos, ou seja, 70% do valor total, tendo em vista o bom ambiente econômico do país e do mundo. Pelos cálculos do BNDES, os novos projetos a serem desenvolvidos pelas principais empresas do setor - Veracel, Suzano, VCP, Cenibra, Aracruz, Bahia Pulp, Internacional Paper (IP), Stora Enso, Orsa e Bramocel - vão representar, até 2010, aumento de 1,7 milhão de toneladas nas fábricas de papel (para 11,6 milhões) e, de 4,2 milhões nas unidades de celulose (para 11 milhões de toneladas). Na avaliação de Horácio Lafer Piva, da Bracelpa, a nova onda de expansão do setor é impulsionada por demanda crescente dos mercados interno e externo, impulsionando novo ciclo de alta dos preços. Ele citou ainda o fechamento de fábricas no Hemisfério Norte e a sofisticação da indústria de papel nos países mais ricos, como fatores que têm impulsionado este avanço no Brasil, país onde o custo de produção da celulose é um dos menores do mundo, de US$ 200 a tonelada em média, ante US$ 400 nos países do hemisfério Norte. Segundo Isac Zagury, diretor financeiro da Aracruz, o mercado de celulose está muito bom, com a demanda crescendo em torno de 6% ao ano da parte das empresas não integradas. O preço médio da tonelada ( incluindo frete) da Europa atingiu de US$ 670, o mais alto dos últimos cinco anos e a tendência é permanecer nestes níveis por algum tempo. Zaguri desmentiu os rumores de que Aracruz e VCP estão negociando uma fusão. Atribuiu a "especulação de analistas". A maioria dos projetos apresentados pelas 11 empresas ao BNDES é de novas unidades e expansão de celulose. José Luciano Penido, diretor presidente da VCP, disse que a empresa decidiu focar em celulose devido à estratégia para criação de valor. Mas afirmou que a operação que fez com a IP não significa que a VCP abandonará a área de papel. "Vamos manter as áreas de papel onde a empresa é líder no mercado brasileiro, como papel revestido, químicos, autocopiados e térmicos, além de garantir sua presença de 15% no mercado de papéis não revestidos". Penido disse que o setor de papel é prejudicado pelo baixo crescimento do PIB brasileiro. "O consumo per capita do país é hoje de 39 quilos de papel per capita, contra 60 quilos da Argentina e 300 quilos dos EUA", destacou. O representante da IP do Brasil, no encontro do BNDES, Ricardo Bizigato, gerente geral de Operações Financeiras, disse ao Valor que a intenção da multinacional é se dedicar mais ao novo foco de negócio (papel) da companhia, razão pela qual permutou seu projeto de celulose com a VCP, em troca da unidade de Luiz Antonio. Com isso, a IP passará a produzir 790 mil toneladas/ano de papel no país. Bizigato adiantou que a IP tem plano de construir uma nova fábrica em 2010. O presidente da Stora Enso, Nils Grafstrom , informou que , além de dobrar a produção da Veracel, conforme acertado com a Aracruz, a Stora Enso tem planos de construir sozinha uma nova planta de celulose no Centro-Sul do Rio Grande do Sul. "Já começamos a comprar terras para fazer florestas de eucalipto. Devemos instalar a nova fábrica num prazo de sete anos (prazo suficiente para o eucalipto maturar)", previu. Miguel Sampol Pou, diretor-geral da Klabin, adiantou que, além da expansão que a empresa está tocando em Monte Alegre (PR), um investimento de R$ 2,2 bilhões, estuda aumentar a produção de papel de suas fábricas de Santa Catarina, das atuais 550 mil toneladas ao ano, para 800 mil toneladas anuais nos próximos dois anos.

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