DCI – SP
Fevereiro/2007

Fabricante de embalagem vê venda maior às classes C e D

André Magnabosco

Os fabricantes de embalagens prevêem um resultado mais acentuado das vendas este ano, em relação a 2006. Para isso, acreditam na expansão das compras das classes C e D que, beneficiadas pelo aumento da renda da população, ganham maior destaque nas estratégias das empresas do setor de bens de consumo. "As grandes empresas perceberam que a concorrência estava crescendo graças à melhor atuação junto à população de baixa renda", diz a gerente de Negócios da divisão de Embalagens Flexíveis da Dixie Toga, Lisandra Salgueiro. Esse reposicionamento das empresas, aliado à ampliação do mercado de embalagens para porções menores, deverá causar uma mudança no mercado de embalagens do País que, no ano passado, cresceu cerca de 4,5%, segundo dados ainda preliminares da Associação Brasileira de Embalagem (Abre). A expansão prevista para o setor em 2007 será impulsionada principalmente pelos mercados de alimentos e bebidas, que respondem a mais de 60% do mercado de embalagens e cuja demanda está bastante vinculada à renda das pessoas. A divisão de itens flexíveis da Dixie Toga, fabricante de embalagens plásticas, estima ampliar as vendas deste ano em 5%, em relação a 2006, após registrar estabilidade nos negócios no ano passado. O Grupo Orsa, um dos maiores do País na área de papelão ondulado, também espera crescer em 2007, após registrar um fraco resultado em 2006. "Esperamos que as vendas cresçam cerca de 7% este ano, em linha com a expansão estimada para o mercado de papelão ondulado", afirma o diretor comercial da empresa, Patrick Nogueira. O executivo não revela qual foi o crescimento da empresa em 2006, mas confirma que a expansão foi próxima da taxa em volume registrada pelo setor, de 1%. A estratégia da empresa para impulsionar as vendas este ano também está voltada para os fabricantes que oferecem produtos para as classes C e D, mas não apenas do setor de alimentos. "Não enfocaremos as vendas em um segmento específico. Queremos buscar, dentro das diversas áreas nas quais atuamos, empresas que venderão para essa classe da população", destaca. O executivo ressalta que as expectativas para este ano são melhores do que em 2006 porque, além da melhoria da renda da população, o início do ano apresentou melhores resultados do que em 2006. Para atender à demanda doméstica, a empresa iniciará, ainda este ano, as operações de uma fábrica em Franco da Rocha (SP). A planta, que estava desativada, foi adquirida pelo grupo em 2005 e está recebendo investimentos para voltar a operar ainda este ano.

Alimentos

Os fabricantes de latas de aço, bastante ligados ao mercado alimentício, também esperam um ano melhor em 2007. O vice-presidente da Associação Brasileira de Embalagem de Aço (Abeaço), Elio Cepollina, acredita que o crescimento do setor este ano deverá ficar levemente acima do do Produto Interno Bruto (PIB), considerando que a economia brasileira cresça entre 4,5% e 5,5%. No ano passado, a expansão ficou em entre 3,5% e 4%. O resultado será impulsionado principalmente pelos mercados de atomatados e derivados de leite. "Nossa estimativa é que o consumo de atomatados, por exemplo, salte de 183 mil toneladas em 2006 para 193 mil toneladas em 2007". No caso do segmento leite, a expansão deverá ficar em cerca de 13%, segundo o executivo. "Estamos confiantes com relação a 2007 porque acreditamos que a economia brasileira entrará em um compasso mais acelerado e haverá um maior poder aquisitivo da população." O diretor industrial da fabricante de latas de aço Metalgráfica Iguaçu, Roberto Martins, prevê que a empresa crescerá cerca de 5% este ano, após a expansão de 0,2% da receita em 2006.

Novas embalagens

A diretora executiva da Abre, Luciana Pellegrino, destaca que uma das maneiras que as empresas têm encontrado para ampliar a oferta de produtos às classes C e D é a apresentação de produtos de marca premium em embalagens menores. "O consumidor das classes C e D quer ter acesso cada vez maior a produtos de boas marcas e de melhor qualidade. Por isso as empresas investem nesse tipo de embalagem." Nessa categoria aparecem itens de limpeza e guloseimas, entre outros. Outro nicho que crescerá em 2007, segundo a executiva, é o de produtos para públicos específicos, como águas com sabor, e embalagens desenvolvidas para o consumo em movimento.

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